25/03/2018

Árvores


Algumas histórias com árvores.

Com o Álvaro, era ele muito pequeno (em modo ando-quase-sempre-ao-colo), costumávamos dar festas aos troncos das árvores — coisa de que ele gostava, os dois faróis muito atentos àquelas texturas.

Quando me mudei para a Travessa do Fala-Só havia, no topo das escadas, uma árvore incrível, alta, frondosa. Passado nem um mês, as bestas da CML decidiram cortá-la.

Quando me mudei para São Domingos de Benfica, tínhamos uma árvore à frente da porta do prédio. Passadas nem duas semanas, as bestas da Junta cortaram-na (a desculpa? tirava luz às bestas que viviam no primeiro andar)

No outro dia, ao passear com a minha mãe pelo bairro onde vive o meu irmão, passámos por aquela que é a minha casa preferida da zona: ligeiramente recuada em relação aos prédios que a rodeiam, tem a entrada ladeada por duas árvores majestuosas, lindas, chegam ao terceiro andar. Comentário da minha mãe (note-se a ausência de adjectivação qualitativa, há um mínimo de respeito): «o prédio é tão bonito, pena ter estas árvores, tiram a luz toda.»

A rua onde agora vivo tem, coisa rara, umas poucas árvores. Mesmo à frente do portão, uma olaia que comete o gravíssimo pecado de viver pelas estações: flores, seiva, folhas, vagens, tudo coisas que têm um ciclo que, invariavelmente, acaba no chão ou, lesa-majestade, no capot dos carros. As ultra-bestas das minhas vizinhas dizem, frequentemente, que o melhor era arrancarem aquilo tudo dali, só faz é sujeira.

Bardamerda.

E reparem, não percebo patavina disto: para mim, as árvores (uma vez confundi uma nogueira com um pinheiro) (sim, assim tão grave) são, genericamente, «árvores». Tal como aqueles bichos com penas são, no geral, «pássaros». Sou um confesso ignorante da vida natural, limito-me a apreciar-lhe a (frequente) beleza e tudo o que significa em termos de ligação ao que está por baixo das pedras da calçada (e não é a plage, lamento).

Acho que a primeira árvore que me ficou na memória é a que aparece no American Gods, do Neil Gaiman — que, por sinal, é a mesma da mitologia nórdica e que é o centro do mundo. Essa e a do Calvino, quando um barão decide não mais tocar no chão e passa a viver na copa das árvores.

Lisboa tem árvores muito bonitas. Eu tenho uma máquina fotográfica. Vou juntar as duas aqui nesta página de instagram: arbor_lisboa

Tentarei, também, ser mais ou menos rigoroso e, já agora, ir aprendendo alguma coisa pelo caminho, identificando as árvores e tentando saber algo mais acerca delas.

Estão tod@s convidad@s, claro, a acompanhar esses retratos arbóreos.

(nesta foto, o meu limoeiro, ora chamado Quim, ora chamado Cláudia [depende dos dias], todo contente a crescer por todos os lados)

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