26/06/2017
24/06/2017
23/06/2017
20/06/2017
Filipe Melo _ Out to Lunch 01





Comecei o dia a ouvir o Kind of Blue. Cheguei mais cedo do que o previsto, esplanadei-me e o que saía do rádio do café era o Blue Train. Se estava preocupado com o resultado destas fotografias, passou depressa — tinha, afinal, a música do meu lado.
Não me vou alongar nem sobre estas fotos, nem sobre esta coisa do Out to Lunch — isso será feito em breve, numa morada própria e com a conversa toda direitinha. Para já, pouso-as aqui, provisoriamente. E aproveito estas linhas para agradecer ao Filipe, que para além de ser um homem renascentista dos mil talentos, é das pessoas mais fixes que conheço, com o coração que mais parece uma catedral.
Este é o primeiro Out to Lunch — começa da melhor maneira, com o Filipe. ( + / + )
Sejam bem-vindos.
Out to Lunch _ 00
Impressões do teatro
Para mim, o mais importante na tragédia é o sexto acto:
o ressuscitar no campo de batalha,
o agitar das perucas e dos trajes,
o arrancar da faca do peito,
o tirar da corda do pescoço,
o dispor-se na fileira entre os vivos
de cara voltada para o público.
As vénias individuais e colectivas:
a mão branca sobre a ferida no peito,
o reverenciar da suicida,
o acenar da cabeça cortada.
As vénias aos pares:
a fúria dando o braço à brandura,
a vítima trocando um olhar doce com o carrasco,
o rebelde sem rancor acertando o passo com o tirano.
O pisar da eternidade com a biqueira da botina dourada.
O escorraçar da moral com a aba do chapéu.
A incorrigível prontidão de recomeçar amanhã.
A entrada em fila indiana dos mortos
nos actos terceiro, quarto e nos entreactos.
O milagroso retorno dos desaparecidos sem notícia.
Pensar que esperavam pacientemente nos bastidores,
sem tirarem as vestes,
sem limparem a maquilhagem,
comove-me mais do que as tiradas trágicas.
Porém, o mais sublime é o cair do pano
e o que se avista através da fresta minguante.
Aqui, uma mão apressa-se para chegar às flores,
acolá, uma outra apanha a espada caída.
Por fim, uma terceira mão invisível
cumpre o seu dever:
aperta-me a garganta.
Para mim, o mais importante na tragédia é o sexto acto:
o ressuscitar no campo de batalha,
o agitar das perucas e dos trajes,
o arrancar da faca do peito,
o tirar da corda do pescoço,
o dispor-se na fileira entre os vivos
de cara voltada para o público.
As vénias individuais e colectivas:
a mão branca sobre a ferida no peito,
o reverenciar da suicida,
o acenar da cabeça cortada.
As vénias aos pares:
a fúria dando o braço à brandura,
a vítima trocando um olhar doce com o carrasco,
o rebelde sem rancor acertando o passo com o tirano.
O pisar da eternidade com a biqueira da botina dourada.
O escorraçar da moral com a aba do chapéu.
A incorrigível prontidão de recomeçar amanhã.
A entrada em fila indiana dos mortos
nos actos terceiro, quarto e nos entreactos.
O milagroso retorno dos desaparecidos sem notícia.
Pensar que esperavam pacientemente nos bastidores,
sem tirarem as vestes,
sem limparem a maquilhagem,
comove-me mais do que as tiradas trágicas.
Porém, o mais sublime é o cair do pano
e o que se avista através da fresta minguante.
Aqui, uma mão apressa-se para chegar às flores,
acolá, uma outra apanha a espada caída.
Por fim, uma terceira mão invisível
cumpre o seu dever:
aperta-me a garganta.
(amanhã explico o título deste post)
(p.s. este poema está num livro que foi, finalmente, reeditado pela Relógio D'Água)
16/06/2017
+ + Francis Ponge + + Première ébauche d'une main
1
La main est l'un des animaux de l'homme : toujours à la portée du bras qui la rattrape sans cesse, sa chauve-souris de jour.
Reposée ci ou là, colombe ou tourtereau, souvent alors rejointe à sa compagne.
Puis, forte, agile, elle revolette alentour. Elle obombre son front, passe devant ses yeux.
Prestigieusement jouant les Euménides.
[…]
6
La main est l'un des animaux de l'homme ; souvent le dernier qui remue.
Blessée parfois, traînant sur le papier comme un membre raidi quelque stylo bagué qui y laisse sa trace.
A bout de forces, elle s'arrête.
Fronçant alors le drap ou froissant le papier, comme un oiseau qui meurt crispé dans la poussière, - et s'y relâche enfin.
*
Deste poema do Ponge.
Ouvi-o, pela primeira vez, neste disco.
E há uma razão para o partilhar, hoje — passei a manhã a fotografar mãos que são como pássaros.
Prestigieusement jouant les Euménides.
[…]
6
La main est l'un des animaux de l'homme ; souvent le dernier qui remue.
Blessée parfois, traînant sur le papier comme un membre raidi quelque stylo bagué qui y laisse sa trace.
A bout de forces, elle s'arrête.
Fronçant alors le drap ou froissant le papier, comme un oiseau qui meurt crispé dans la poussière, - et s'y relâche enfin.
*
Deste poema do Ponge.
Ouvi-o, pela primeira vez, neste disco.
E há uma razão para o partilhar, hoje — passei a manhã a fotografar mãos que são como pássaros.
15/06/2017
△ △ Finalmente o Verão △ △ Jillian Tamaki & Mariko Tamaki
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