08/06/2017

+ + António Reis + +

Devo muito ao Olímpio (muito, mesmo)*. Entre outras coisas, ele costumava, quando estávamos a trabalhar (na Bulhosa do Campo Grande, 98/99), volta e meia sacar de um livro e «epá, tens de ler isto» (e ficava com aquele seu sorriso malandro).
Bum! Inevitavelmente, era sempre Bum!
Respigava sempre o melhor em tudo.
Um dia mostrou-me estes poemas, sabia lá eu quem era o António Reis ou, sequer, que tinha escrito e era cineasta. Transcrevi-os para uma folhinha merdosa de papel, folhinha essa que me tem acompanhado em todas as mudanças de casa (e foram muitas) e que está, neste momento, apoiada na estante, encostada aos meus cadernos. Volto a eles com frequência. E tive de voltar a eles, com muito prazer, em trabalho: vamos reeditar os Poemas Quotidianos lá na chafarica onde passo os dias a alinhar letras em páginas (há trabalhos piores :) )



 + + António Reis + + 

* Não será esta uma conversa para se ter aqui, mas sim à volta de uma mesa de café, com fumo e cerveja e amigos. 

06/06/2017

Et de plomb et de plume 035



*

00:00. Mort Garson _ Planetary Motivations
01:44. Duke Ellington _ Hero to Zero
03:47. Jordi Savall _ Folias Criollas
07:07. Caetano _ Cucurrucucu Paloma
10:42. Bernardo Sassetti _ Tema para uma leitura encenada
16:42. Emmy Curl _ Maio, Maduro Maio
20:29. Billie Holiday e Lester Young _ This Year's Kisses
23:36. Jeff Buckley _ Mamma, you've been on my mind
26:59. Mila Dores _ Outra Saia
30:03. Bill Evans _ How Deep Is The Ocean
35:52. Carla Bley _ Very Very Simple
42:35. Bobby McFerrin _ CircleSong 8
53:35. Andrew Bird _ The Sifters
57:53. Sufjan Stevens _ Blue Bucket of Gold


+ + no leitor + + L. Subramaniam + +


Aqui há uns anos costumava gravar cassette atrás de cassette com programas de rádio. Tenho várias do Terra Pura e do Jazzosfera (du Rui Neves) e algumas da Antena 2. Dessas, há uma de que gosto particularmente e que me frustra especialmente: um concerto do L. Subramaniam com uma orquestra (não sei qual), com um solo de percussão que é, desculpem-me a expressão, do caralhete. Ah, pois, as cassettes: dois lados, cada um com 45 minutos. Pois que o lado A da sacana da dita tinha mesmo, m.e.s.m.o., de se me acabar a meio do dito solo. Um dia destes (e tenho de a procurar, que as cassettes estão numa confusão danada), faço um bocado de espeleologia musical e tento desencantar, algures, o nome daquele concerto (que não é este aqui do video: o programa de que falo deve ter passado em 96 ou 97).

05/06/2017

04/06/2017

+ + Wisława Szymborska + +

Possibilities

I prefer movies.
I prefer cats.
I prefer the oaks along the Warta.
I prefer Dickens to Dostoyevsky.
I prefer myself liking people
to myself loving mankind.
I prefer keeping a needle and thread on hand, just in case.
I prefer the color green.
I prefer not to maintain
that reason is to blame for everything.
I prefer exceptions.
I prefer to leave early.
I prefer talking to doctors about something else.
I prefer the old fine-lined illustrations.
I prefer the absurdity of writing poems
to the absurdity of not writing poems.
I prefer, where love's concerned, nonspecific anniversaries
that can be celebrated every day.
I prefer moralists
who promise me nothing.
I prefer cunning kindness to the over-trustful kind.
I prefer the earth in civvies.
I prefer conquered to conquering countries.
I prefer having some reservations.
I prefer the hell of chaos to the hell of order.
I prefer Grimms' fairy tales to the newspapers' front pages.
I prefer leaves without flowers to flowers without leaves.
I prefer dogs with uncropped tails.
I prefer light eyes, since mine are dark.
I prefer desk drawers.
I prefer many things that I haven't mentioned here
to many things I've also left unsaid.
I prefer zeroes on the loose
to those lined up behind a cipher.
I prefer the time of insects to the time of stars.
I prefer to knock on wood.
I prefer not to ask how much longer and when.
I prefer keeping in mind even the possibility
that existence has its own reason for being.

Wisława Szymborska
[prefiro a tradução inglesa]